Apesar da redução da taxa de desemprego e expansão da geração de oportunidades de trabalho no Brasil, estabelecimentos comerciais, indústrias e prestadores de serviços enfrentam escassez de mão- de-obra, mesmo em tarefas básicas. No caso de supermercados em oito das 10 ocupações mais importantes de sua folha de pagamentos, que correspondem a 70% da força de trabalho do setor, faltam trabalhadores interessados. O levantamento é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgado no início de março. Nesse caso, as oito vagas de trabalho mais difíceis de preencher são de operador de caixa, padeiro, açougueiro, embalador, repositor de mercadorias, atendente de loja, vendedor e auxiliar de serviços de alimentação
Tudo isso, apesar do desemprego no País haver atingido níveis historicamente baixos, com casos extremos, como a falta de mão-de-obra levar ao adiamento de inauguração de novas lojas, conforme a Associação Paulista de Supermercados (Apas). Foram casos de falta de preenchimento de funções consideradas mais técnicas, exigindo alguma qualificação profissional dos interessados, se tornando problema para empresas do ramo no início de 2025.
Pesquisa realizada por assessoria de recursos humanos neste ano já havia apontado que 81% das empresas brasileiras têm dificuldades para encontrar mão-de-obra qualificada ou com competências indispensáveis paras funções a serem preenchidas. Na verdade, seis em cada 10 empresas brasileiras também têm dificuldades não só de contratar, mas também de manter seus atuais trabalhadores. Em 2024, cresceram não só o número de vagas para contratações de trabalhadores, mas também as demissões a pedido.
Prova disso é que em setembro do ano passado a proporção de demissões voluntárias em relação ao total alcançou recorde histórico, chegando a 38,5%, como apontou estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE-FGV). Ocorre que jovens que tinham o supermercado como primeiro emprego hoje preferem trabalhos informais. O motivo é a maior flexibilidade na rotina, apontaram empresários do setor ouvidos por especialistas. Com isso, nem mesmo vagas que exigem menor qualificação vem sendo preenchidas com facilidade. Redes de supermercados com cerca de 3.600 colaboradores em 40 lojas, revelaram enfrentarem dificuldades para manter seus funcionários. Especialistas em recursos humanos informaram à Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), em setembro de 2024, que enquanto antigamente era difícil recrutar mão-de-obra especializada, atualmente, o problema é atrair interessados, ainda que sejam sem experiência.
Muitos não aceitam o retorno ao trabalho presencial ou ainda sonham em se tornar empreendedores. O número de jovens entre 18 e 29 anos com sua própria empresa cresceu 23% entre 2013 e 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), eles ainda representavam 16,5% do total de quase 30 milhões de donos de negócios no País no último trimestre de 2023, mas, apenas 8,6% eram de fato empregadores. No País, o setor de supermercados tem cerca de 357 mil vagas em aberto, o que representa 3,9% do total de pessoas empregadas pelo setor. No Oeste do Paraná são cerca de sete mil vagas em aberto. A solução, segundo especialistas, é investir em tecnologia.
*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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