Em uma amostra do tom que deve adotar na campanha pela reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma fala “antissistema” na festa de encerramento do aniversário de 46 anos da sigla em Salvador, neste sábado (7), e criticou o funcionamento atual da política.
“A política apodreceu. Como é que está o mercado eleitoral deste país? Você sabe quanto custa um cabo eleitoral, você sabe quanto custa um vereador ou o preço de cada candidatura neste país, o que é uma vergonha”, disse.
No discurso que antecedeu o de Lula, o presidente do PT, Edinho Silva, foi na mesma linha.
“Só nós podemos ser o partido do antissistema”, afirmou o dirigente.
Em outro momento do discurso de Lula, o presidente fez uma cobrança ao PT e disse que os membros da sigla têm a obrigação de não deixar que ela "vá para a vala comum da política deste país”. E que o partido tem que ser forte -- não ele.
A fala joga luz sobre um delicado debate interno no PT: a falta de renovação de quadros e de perspectivas para o pós-Lula. Em outro momento, o presidente defendeu que a sigla faça alianças amplas nas eleições, na mesma linha do presidente da legenda.
Lula também comentou sobre o controle cada vez maior que o Congresso Nacional tem do Orçamento Público. Segundo ele, o chamado "orçamento secreto", que são as verbas públicas distribuídas por meio das emendas de relator, foi um "sequestro" dos recursos do Executivo.
"A verdade é que o orçamento secreto foi um sequestro do orçamento do Executivo, para que deputados e senadores pudessem utilizar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o Governo Federal. Esse ano é quase R$ 60 bilhões. Se vocês acham isso normal, tudo bem, para mim não é normal. E o que eu acho grave é que o PT votou favorável e ninguém reclama", afirmou.
O evento de aniversário do PT reuniu os principais quadros do partido, além de líderes do PSB, PCdoB e Psol, e foi o pontapé inicial da pré-campanha.





