O relatório final da CPMI do INSS, feito pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), acabou rejeitado pela comissão, mas deixou um recado político ao trazer menções ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao tratar do avanço das fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas.
Mesmo sem aprovação, o texto afirmava que a estrutura do esquema teria ganhado força a partir de 2023, com a mudança de gestão no INSS. Segundo o documento, a nomeação de integrantes apontados como peças centrais da operação para cargos estratégicos impulsionou o crescimento das irregularidades.
Entre os postos citados estavam a presidência do instituto, diretorias e a procuradoria-geral. O relatório sustentava que a ocupação dessas funções coincidiu com o aumento no volume de descontos associativos sob suspeita.
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Lulinha e o Careca
Familiares do presidente também apareceram no documento. Um dos trechos mencionou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com referência a uma viagem à Europa ao lado de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como operador financeiro do esquema.
A comissão registrou que pedidos de convocação e de acesso a listas de passageiros não avançaram — e o relator chegou a pedir o indiciamento de Lulinha, proposta que não prosperou com a rejeição do parecer.
Outro nome citado é José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula, ligado ao Sindnapi. A entidade aparece como uma das que mais arrecadaram valores por meio de descontos em benefícios, com cerca de R$ 600 milhões sob análise. No entanto, Gaspar não recomendou qualquer tipo de ação em relação a Frei Chico.
Reunião com a Contag
O relatório também mencionou requerimentos enviados a órgãos do governo com o objetivo de identificar eventual conhecimento prévio sobre as irregularidades. Um dos pontos trata de reunião entre o presidente e a Contag, realizada em abril de 2024.
Apesar das citações, há registro da versão apresentada pelo então ministro da Previdência, Carlos Lupi. Em depoimento, ele afirmou: “O presidente Lula não tinha conhecimento dos fatos”.
A leitura do relator
Mesmo diante dessa declaração — e da rejeição do relatório —, o relator sustentou outra leitura no documento. Ele afirmou que o esquema de fraudes é antigo, mas teria atingido maior dimensão recente.
Segundo Gaspar, “o roubo começou muito antes do lapso temporal investigado nesta CPMI”, mas “foi no governo de Luís [sic] Inácio Lula da Silva que os desvios alcançaram níveis estratosféricos, saindo da casa de milhões para bilhões de reais”.
Ele citou como exemplo o ano de 2024, quando, de acordo com o relatório, os descontos associativos sob suspeita teriam chegado a R$ 3,5 bilhões.
Para o deputado, “os números não mentem” e indicam que, no atual governo, organizações criminosas teriam ampliado sua atuação dentro da estrutura previdenciária.




