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Mulher vira barriga solidária para realizar sonho da prima em MS: ‘amor nunca é demais’

A servidora, que já é mãe, decidiu gerar o filho da prima quando Isabela recebeu o diagnóstico de colangite biliar.
(Foto: Casa Fotografias)
(Foto: Casa Fotografias)

Até onde você iria para ajudar quem ama? A moradora de Campo Grande (MS) Mariellen Cristina dos Anjos, de 36 anos, “emprestou” o próprio útero para que os primos realizassem o sonho de serem pais. A funcionária pública que já tem dois filhos virou “barriga solidária”, seguindo todas as determinações elaboradas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

A médica Isabela Anjos, de 31 anos, e o empresário Luiz Felipe, de 30 anos, estão juntos há uma década e decidiram eternizar o amor entre o casal com um casamento, que aconteceu no último fim de semana em Campo Grande.

A cerimônia, repleta de emoção, teve um detalhe especial. Os noivos esperam o primeiro filho, no quinto mês de gestação. Mateus, o bebê esperado pelo casal, entrou no altar no ventre da madrinha de casamento, Mariellen. A funcionária pública, de 36 anos, decidiu doar seu útero para que a prima pudesse realizar o sonho de ser mãe.

“Eu estou doando a minha vida pra uma pessoa que é a minha vida, sempre foi minha vida”, diz Mariellen.

Voltando no tempo
Para entender essa história, de amor e altruísmo, precisamos abrir o livro de memórias. Em 2019, Taís Mara, irmã de Isabela, faleceu aos 31 anos após complicações da colangite biliar primária, doença hepática autoimune que acomete os ductos biliares do fígado, que pode evoluir para a cirrose.

No ano seguinte, em 2020, seu Adelcio, de 57 anos, não resistiu a mesma patologia. Em meio ao luto, Isabela descobriu que também tem colangite biliar. A doença, pode chegar a estado agudo com uma gravidez, que foi tão fatal a família.

A decisão que resultou no ato de amor
“Meu sonho sempre foi ser pai, eu sou apaixonado por criança, mas eu amo tanto a minha esposa que eu não quero arriscar. E eu pensei comigo, tem tantas outras opções de ser pai, não necessariamente precisa ser pai de sangue. A gente pode adotar”, relembra Luiz Felipe.

Perante a situação, o casal começou a fazer o curso para realizar a adoção e ao mesmo tempo, pesquisar outras formas de ter um filho. Entre elas o útero de substituição ou a barriga solidária. A decisão veio quando em um jantar em família, Luiz comentou sobre essa possibilidade com a prima Mariellen.

“A conversa se estendeu e foram a outros assuntos e quando terminou eu falei, por que eu não poderia gerar esse filho para vocês? Aí ele arregalou o olho assim, assustado, né? Eu não tive problema nas minhas gestações e a parte mais difícil vai ficar com vocês”, brincou Mariellen.

Foram dias até a decisão ser realmente tomada. Primeiro, Mariellen conversou com o marido, o engenheiro Diego Della Senta, de 36 anos, com quem tem dois filhos, de 11 e 5 anos. O casal analisou os riscos, como a idade, a religiosidade e todas as dificuldades da gestação.

“Pensei muito na questão da idade, próximo dos 40, né? Eu sou católica também, a Igreja, ela não aceita esse tipo de procedimento. Mas eu falei, eu não estou cometendo crime nenhum, eu estou doando a minha vida para uma pessoa que é a minha vida, sempre foi minha vida, e tem toda a história por trás da Taís também”, explica Mariellen, muito emocionada.

A noiva, Isabela, processou por um tempo a decisão. “Sempre foi um sonho meu e do Felipe, a gente falava que ia ter quatro filhos e tudo mais. Mas eu, como a mãe do Mateus, era a pessoa que olhava e falava, não Mari, não. Porque é uma gravidez. É um risco, você tem sua família linda, vamos estudar melhor, vamos ver as possibilidades, ver como funciona. E aí as coisas foram acontecendo. Nunca existiu um pedido, sempre foi, literalmente, amor e doação”.

“Eu me preparei a vida inteira pra ser pai e eu acho que , cada minuto da maternidade, da paternidade pra nós vai ser único e sensacional.”, completa Felipe.

Útero de substituição
No Brasil, o útero de substituição segue as determinações elaboradas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). A pessoa com útero que faz doação, precisa ter parentesco de até quarto grau com um dos genitores. Mãe, irmã, avó, tia, sobrinha ou prima como a Mariellen.

“Eu acho que é o maior gesto, né, de amor que a gente pode conhecer, porque é muito afeto, é muito hormônio, muita emoção envolvida numa gestação. Mas eu falo, que essa criança vai ser privilegiada, porque existe uma sintonia entre os quatro tão grande que a gente fica até impressionado”, diz o médico ginecologista Rui Malta, que fez todo o processo de útero de substituição para Isabela e Luiz Felipe.

O especialista em reprodução assistida que acompanhou Isabela, Felipe e Mariellen, explica que a técnica do útero solidário ainda é usada de forma rara, mas pode ajudar pessoas com útero que por alguma condição, não podem ter uma gestação.

“Paciente, por exemplo, que teve que retirar o útero por algum motivo, às vezes o tratamento de um câncer, às vezes nasceram com uma anomalia uterina e nesses casos a correção cirúrgica é algo muito difícil, normalmente é algo que ainda está engatinhando na medicina muito experimental . Então às vezes o recomendado seria o útero de substituição”, afirma o médico ginecolosta.

Isabela compartilhou todo o processo para a gestação do filho em suas redes sociais. O embrião, implantado em Mariellen, foi formado em laboratório com óvulo e espermatozoide dos pais.

“A Isabela recebeu alguns medicamentos que estimulam os ovários a produzir óvulos, a gente captou esses óvulos. No mesmo dia que foi feita essa captação, fizemos a junção do espermatozoide, e aí formaram os embriões. A próxima etapa foi o preparo do útero da Mariellen. A gente foi monitorando para poder fazer a transferência do embrião, que nesse caso foi único”, detalha Malta.

O nascimento de Mateus está previsto para maio. Enquanto isso, a família vive uma gravidez inesquecível. Mariellen, diz que apesar da intimidade de carregar o bebê, ela não tem dúvidas do seu sentimento e, segue decidida.

“Além de muito grata, é um privilégio gigantesco ter meu bebê gerado dentro da barriga da Mari, que é uma pessoa sensacional. Quando o bebê chuta é automático, eu digo: calma tia, calma prima. Nossa Mateus, eu vou falar para os seus pais que você tá muito arteiro hoje!”, declara Mariellen, muito emocionada e feliz.

No futuro, a família tem certeza que o jeito como Mateus chegou ao mundo, será mais uma das histórias de amor, união e altruísmo na família Anjos, que pode ser um exemplo para muitas pessoas que sonham em ter filhos.

“Eu quero que o Mateus saiba que ele veio da prima doida. Eu tenho certeza que eles vão comentar o tempo todo. E ele vai falar: oh, a prima que me carregou no forninho dela”. Isabela brinca.

“Em relação ao futuro muitas pessoas me perguntam: o Mateus não vai ter muito vínculo com a Mari.? Eu sempre respondo: o amor nunca é demais.”

Com informações do G1

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