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Sem China, exportações de carne bovina voltam a cair em setembro

Embarques para o mercado chinês diminuíram mais de 90% em relação ao mesmo mês de 2025

Por: Redação Fonte: Globo Rural
07/10/2026 às 15h00
Sem China, exportações de carne bovina voltam a cair em setembro
© Divulgação/Abiec

As exportações brasileiras de carne bovina diminuíram 35,1% em setembro na comparação com igual mês do ano passado, somando 229,3 mil toneladas. Em setembro de 2025, o volume havia sido de 353,1 mil toneladas, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira (7/10) pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

A receita com as exportações de setembro também caiu, mas em menor proporção, 27,6%, atingindo US$ 1,38 bilhão.

Houve redução do volume exportado também na comparação com agosto, 1,8%, enquanto a receita aumentou 1,1%, de acordo com a Abiec.

“O desempenho do mês segue refletindo principalmente a forte redução dos embarques para a China, diante da salvaguarda em vigor no país”, disse a entidade na nota.

Para os chineses, especificamente, foram embarcadas em setembro 12,9 mil toneladas, que geraram receita de US$ 75,2 milhões, quedas de 93,2% em volume e 92,9% em valor na comparação com setembro de 2025.

Em junho, quando o ritmo dos embarques para a China ainda era forte, as exportações brasileiras totais de carne bovina chegaram a 317 mil toneladas. De lá para cá, recuaram gradativamente, para 264 mil toneladas em julho, 233 mil em agosto e 229 mil em setembro.

No primeiro semestre, o ritmo das vendas externas foi mais intenso, destacou a Abiec. Em janeiro, o país exportou 264 mil toneladas, em fevereiro, 267 mil toneladas; março, 271 mil toneladas; abril, 288 mil; e maio, 297 mil toneladas.

Em coletiva de imprensa realizada em setembro, o presidente da Abiec, Roberto Perosa, já havia comentado que o ritmo das exportações nos últimos meses está “diretamente relacionado” à redução das vendas para a China.

“Temos alguns alentos em outros mercados, mas eles ainda não são capazes de substituir automaticamente a demanda chinesa”, afirmou Perosa na ocasião.

Outros mercados
Em setembro, o Brasil exportou aos Estados Unidos 48,3 mil toneladas de carne bovina, volume 389% superior ao do mesmo mês de 2025. A receita somou US$ 313,8 milhões, alta de 333,8%.

Para o Chile, as vendas de carne bovina chegaram a 19,4 mil toneladas (alta de 87,2% na comparação anual) e geraram receita de US$ 117,5 milhões (+107,7%, na mesma base de comparação.

A Rússia recebeu 13,1 mil toneladas de carne bovina brasileira (+20,5%), o que proporcionou uma receita de US$ 66,5 milhões (+40,2%).

A União Europeia comprou 20 mil toneladas (+29,7%), com receita de US$ 178,7 milhões (+34,7%). A Abiec lembrou que em setembro teve início a interrupção dos embarques de carnes ou outros produtos de origem animal ao bloco, após a entrada em vigor das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos.

Outros destinos também ampliaram as compras de carne bovina brasileira em setembro, conforme a Abiec. A Indonésia recebeu 9,4 mil toneladas (+822%), com US$ 33 milhões (+642,2%); a Arábia Saudita, 7,7 mil toneladas (+35,8%) e US$ 44,4 milhões (+49,9%); a Turquia, 5,9 mil toneladas (+129,5%) e US$ 34,8 milhões (+135,2%); e o Canadá, 4 mil toneladas (+870,7%) e US$ 22,9 milhões (+830,8%).

Acumulado do ano
Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina, volume em linha (-0,5%) com as 2,44 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. A receita somou US$ 14,17 bilhões, crescimento de 14,1% em relação aos US$ 12,42 bilhões dos nove primeiros meses do ano passado.

A China segue sendo o principal destino da carne bovina brasileira. Nos nove primeiros meses de 2026, foram embarcadas ao país 912 mil toneladas, 20,9% menos do que em igual intervalo do ano passado. A receita com o país em nove meses chegou a US$ 5,59 bilhões, queda de 7,8% na mesma base de comparação. Assim, a China foi o destino de 37,5% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil e geradora de 39,4% da receita das vendas externas.

Os Estados Unidos somaram 317,4 mil toneladas (+45%) no acumulado do ano e US$ 2,08 bilhões (+60,8%). O Chile registrou 126,7 mil toneladas (+38,2%) e US$ 768 milhões (+54,4%), enquanto a Rússia alcançou 109,4 mil toneladas (+28,6%) e US$ 531,8 milhões (+45,7%).

A União Europeia acumulou de janeiro a setembro compras de 107,1 mil toneladas e US$ 942,8 milhões, avanços de 27% e 37,9%, respectivamente. O resultado, porém, inclui o período anterior à interrupção do fluxo de embarques em setembro.

Entre outros destinos com crescimento no acumulado estão a Indonésia, com 64,7 mil toneladas (+294,8%) e US$ 179,7 milhões (+136,1%); Arábia Saudita, com 57,7 mil toneladas (+26,3%) e US$ 342,6 milhões (+56%); Argentina, com 20,8 mil toneladas (+101,5%) e US$ 95,1 milhões (+147,6%); Turquia, com 20,6 mil toneladas (+31,9%) e US$ 121,5 milhões (+57,4%); e Jordânia, com 17,8 mil toneladas (+57,4%) e US$ 98 milhões (+82,8%).

A Abiec disse que, com a aproximação do fim do ano, a indústria começa a se preparar para negociações e embarques destinados ao próximo ciclo da cota chinesa.

“Este ano nós já sabemos das cotas e as empresas começam a se programar para vender para a China em meados de outubro e novembro, a depender dos contratos com os navios, para que o produto chegue no próximo ciclo”, disse Perosa no comunicado. “No começo do ano, discutimos com o governo uma forma de diluir os embarques ao longo do período. Essa conversa continua, porque, do ponto de vista de negócio, o melhor seria distribuir essas vendas ao longo do ano.”

Categorias de produtos
A carne bovina in natura correspondeu a 85,1% do volume exportado em setembro, com 195,2 mil toneladas e receita de US$ 1,23 bilhão. Os miúdos somaram 16,3 mil toneladas e US$ 39,2 milhões; os produtos industrializados, 9 mil toneladas e US$ 85,3 milhões; as gorduras, 5,3 mil toneladas e US$ 12 milhões; as tripas, 3 mil toneladas e US$ 10,7 milhões; e as carnes salgadas, 474 toneladas e US$ 3,6 milhões.

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