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Mais de 450 mil peixes morrem por falha em energia elétrica no Paraná

Prejuízos passaram de R$ 2,5 milhões; Copel alega interrupção de energia devido ao clima severo.

Por: Redação Fonte: Globo Rural
10/10/2026 às 17h40
Mais de 450 mil peixes morrem por falha em energia elétrica no Paraná
Foto: Sistema Faep

Problemas no fornecimento de energia elétrica fizeram com que o piscicultor Edilson Pini perdesse mais de 450 mil peixes em sua propriedade em São João do Ivaí, no norte do Paraná. Só a reposição do plantel do piscicultor deve exigir cerca de R$ 2,5 milhões. O problema teve início no dia 29 de setembro e a energia retornou no dia seguinte, após 23 horas de interrupção.

As perdas na propriedade de Edilson Pini equivalem a 230 toneladas de peixes que seriam abatidos ao longo de quatro meses para cumprir contratos com fornecedores. Para o produtor, a situação ameaça a continuidade de um negócio construído ao longo de 40 anos pela família, que produz 800 toneladas de peixe por ano, em 15 viveiros. A estrutura ainda inclui frigorífico próprio.

Por conta das várias oscilações no fornecimento de energia, o gerador da propriedade sofreu uma pane e resultou em um conserto de cerca de R$ 20 mil. “A qualidade da energia na região é ruim há anos. Em um dia normal, ocorre de dois a quatro picos de energia. Já houve noite com 14”, afirma Pini.

No início do ano, uma falha de energia já havia causado a morte de 1,1 milhão de peixes que estavam alojados em seis reservatórios em Tupãssi, no oeste do Paraná. Poucos dias depois, uma queda de eletricidade fez com que 20 mil frangos morressem em uma granja no município de São Miguel do Iguaçu.

Devido a esses casos, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná voltou a cobrar soluções da Copel, distribuidora local de energia. “É urgente que a Copel apresente soluções para o meio rural. Na piscicultura, a falta de energia significa falta de oxigênio nos tanques e, em poucas horas, perda de animais e prejuízos financeiros na casa dos milhões de reais”, ressalta o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Por causa do problema da rede elétrica, Pini prepara a documentação, conversa com clientes, fornecedores e cooperativas de crédito para reorganizar os compromissos financeiros e buscar apoio, inclusive de agências de fomento.

“Eu quero da Copel a nossa matéria-prima de volta, para nos reerguermos”, afirma.
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Oxigenação e geradores no limite
“Quando a energia falha, o peixe sofre com baixa oxigenação da água e o resultado do ciclo é comprometido: o ganho de peso diário cai e o peixe fica mais dias nos tanques até ser entregue”, explica o presidente da Comissão Técnica (CT) de Aquicultura do Sistema Faep e do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Edio Chapla.

Segundo o dirigente, que também é piscicultor, são muitos os relatos de produtores com dificuldades pelo fornecimento deficitário de energia elétrica.

“Isso causa transtornos que vão para além da parte econômica. Tem impactado na parte psicológica. O produtor vive com a intranquilidade de saber se o gerador vai entrar, se o equipamento vai ligar e tendo que correr atrás desse fornecimento de energia. É uma tortura”, relata Chapla.
O Sistema Faep também adverte que o custo de produção eleva significativamente por conta dos valores do diesel, trocas de óleo, desgastes dos geradores e redução da vida útil de equipamentos, como os que monitoram os tanques e as chaves inversoras. Segundo Chapla, a energia já responde por mais de 55% do custo do lote, o que deixa a margem do produtor cada vez mais apertada.

O que diz a Copel
A Copel informou, por meio de nota, que a propriedade teve a energia interrompida em decorrência dos efeitos de eventos climáticos severos consecutivos, iniciados na madrugada de segunda-feira (28/9), com sequência na terça-feira (29/9), que atingiram a área rural de São João do Ivaí e o Noroeste paranaense com maior impacto. A companhia disse ainda que, ao ser acionada pelo cliente na tarde de terça-feira, mobilizou cinco equipes, entre técnicos de obras e eletricistas, para atuar diretamente na ocorrência, com o religamento na manhã da quarta-feira.

“As intervenções para o restabelecimento da energia envolveram a reconstrução da rede elétrica severamente danificada com o rompimento de cabos, quebras de postes e avarias na rede em área de mata e difícil acesso, causadas pela queda de galhos de médio porte sobre as linhas de distribuição que atendem à propriedade”, explicou a Copel.

A empresa afirmou que tem compromisso com o cliente e com o restabelecimento da energia elétrica o mais rápido possível em situações de desligamento. Produtores rurais da cadeia de proteína contam com o atendimento pelo Copel Agro via 0800 643 7676.

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