
Em 13 de outubro de 1982, começava uma transformação que mudaria para sempre a paisagem do Oeste do Paraná. O fechamento das comportas do Canal de Desvio da Usina Hidrelétrica de Itaipu deu início à formação do reservatório que, 14 dias depois, submergiu as Sete Quedas, em Guaíra, um dos conjuntos de cachoeiras mais impressionantes do mundo.
O desaparecimento das quedas, formadas pelo Rio Paraná, marcou um dos episódios mais controversos da história ambiental da região. Conhecidas pelo enorme volume de água e pela força dos saltos, as Sete Quedas atraíam visitantes de diferentes lugares e faziam parte da identidade de Guaíra.
A despedida das Sete Quedas
Com o avanço das águas do reservatório, moradores de Guaíra acompanharam de perto o desaparecimento da paisagem que conheciam desde a infância. Durante os dias de inundação, pessoas foram até as margens do rio para se despedir das cachoeiras.
O enchimento do lago ocorreu rapidamente, em um período de cheia do Rio Paraná. A abertura das comportas de outras usinas hidrelétricas situadas rio acima também contribuiu para elevar o nível da água.
As Sete Quedas ficaram submersas nos últimos dias do processo. Em 27 de outubro de 1982, 14 dias após o início do enchimento, o reservatório estava formado e as cachoeiras haviam desaparecido sob as águas. Depois da inundação, apenas as copas de algumas árvores ainda podiam ser vistas acima do nível do lago.
Uma perda que permanece na memória de Guaíra
A construção de Itaipu representou um marco para a geração de energia elétrica, mas também provocou uma transformação irreversível na paisagem e na memória da região. Para muitos moradores de Guaíra, a submersão das Sete Quedas continua sendo lembrada com tristeza e indignação.
A perda também alimenta discussões sobre os impactos ambientais e sociais de grandes empreendimentos hidrelétricos e sobre a compensação destinada aos municípios afetados.
O cineasta Sylvio Back documentou o fim das cachoeiras e registrou a dimensão simbólica daquela transformação. Ao recordar a paisagem desaparecida, ele destacou que, mesmo com a mudança da geografia, a lembrança das quedas permaneceria viva para quem teve a oportunidade de conhecê-las.
A formação do reservatório de Itaipu, iniciada em 13 de outubro de 1982, entrou para a história como o começo dos últimos dias de um patrimônio natural que nunca mais seria visto da mesma forma.