O Governo Federal anulou o leilão do arroz feito na semana passada pela Conab.
A informação foi confirmada nesta terça-feira (11) pelo presidente da companhia, Edegar Pretto.
Segundo ele, a revelação das empresas vencedoras do certame levantou dúvidas sobre a capacidade de entrega delas. Pretto disse ainda que outro leilão será realizado, com apoio da Controladoria-Geral da União e da Advocacia-Geral da União.
As mais de 260 mil toneladas de arroz arrematadas no leilão correspondem a 87% das 300 mil toneladas autorizadas pelo governo nesta primeira operação.
Das quatro empresas que arremataram lotes, a “Queijo Minas” de Macapá, no Amapá, levou o maior: receberia R$ 730 milhões por 147 mil toneladas de arroz.
A polêmica é que segundo, a Receita Federal, a empresa alterou o seu capital social de R$ 80 mil para R$ 5 milhões dias antes do leilão.
Além disso, está limitada a importar, no máximo, R$ 530 mil por ano, valor muito baixo em relação à entrega que precisa fazer.
Também estão na lista das vencedoras uma empresa de locação de veículos e máquinas e outra de sorvetes, que também não são do ramo de arroz.
Também nesta terça, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária, Neri Geller, pediu demissão após suspeitas de conflito de interesse.
É que o filho de Geller é sócio da principal corretora do leilão. Foi o que explicou o ministro Carlos Fávaro.
De acordo com o governo, um novo edital será publicado, com mudanças nos mecanismos de transparência e segurança jurídica, mas ainda não há data definida.
A decisão de importar o arroz veio depois das chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção nacional do cereal.
Segundo o governo federal, a catástrofe afetou o escoamento do produto e os preços, que subiram. E a importação colocaria o arroz na mesa e regularia os valores.
Mas, de acordo com arrozeiros gaúchos, o abastecimento estaria garantido, já que mais de 80% da área plantada no estado já tinha sido colhida.