Os preços de carne bovina, tanto no mercado externo quanto no doméstico, não devem sofrer oscilações significativas ao longo de 2026, na visão do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadores de Carnes (Abiec), Roberto Perosa.
Apesar das salvaguardas impostas pelo governo chinês a exportadores de carne bovina incluindo o Brasil, a Abiec continua observando aumento da demanda global por proteína animal, impulsionado pelo crescimento econômico na Ásia e também por medicamentos contra a obesidade que estimulam maior consumo de proteínas.
Mesmo com o menor volume previsto para ser exportado para a China, não necessariamente haverá queda de receita nos negócios com o país. Segundo Perosa, quando o governo determina cotas de importação sem tarifas, importadores costumam acelerar a busca por produto para garantir abastecimento. No último mês, os preços pagos por compradores chineses aumentaram, de acordo com o executivo.
A forte restrição de oferta de gado nos Estados Unidos também deve impulsionar a demanda por carne bovina brasileira, disse Perosa. Se no ano passado o Brasil embarcou 271 mil toneladas de carne para os americanos, é esperado que o volume fique próximo de 400 mil toneladas neste ano.
Países para os quais o Brasil exporta, como Vietnã e outras nações do sudeste asiático, podem intensificar e diversificar compras com mais cortes de carne. Outro cliente com potencial para ser um “grande destino da carne brasileira”, a Indonésia deve habilitar nos próximos dias mais 18 plantas frigoríficas brasileiras para exportar carne bovina ao país, diz Perosa. Mais de 30 já foram habilitadas desde a abertura daquele mercado à carne brasileira no ano passado.
Do lado da oferta, o cenário é positivo para o Brasil, que deve ter relativa estabilidade na produção de carne bovina em um momento de demanda aquecida. O Brasil deve abater ao redor de 40 milhões de cabeças, volume similar ao do ano passado, e alcançar produção que pode ser 1% maior ou menor do que em 2025, a depender do comportamento dos mercados consumidores e seus reflexos sobre a oferta, de acordo com o presidente da entidade.
“Estamos num momento positivo porque temos produção local estabilizada e déficit global de produção, o que nos trás mais oportunidades”, afirma Perosa.
A Abiec está em negociação para abrir um escritório em Washington, nos Estados Unidos, além dos que já possui em São Paulo, Brasília e Pequim, na China. Também planeja realizar eventos de promoção da carne bovina brasileira no Chile, terceiro maior destino das exportações do país no ano passado, e países asiáticos, além de participar de tradicionais feiras de alimentos do setor.
No mercado doméstico, a Abiec tampouco vê espaço para grandes variações de preços. “Teremos um ano atípico, ano eleitoral, estímulo ao consumo, deve ter aumento de consumo interno”, avalia Perosa.






