
Como alimento tradicional e muito apreciado por humanos e criações de animais, como frangos, suínos, bovinos de corte e vacas de leite, o milho está entre os grãos mais produzidos, exportados e consumidos no Brasil e no mundo, o que explica o fato da elevação da demanda global do cereal poder superar a produção em quase 30 milhões de toneladas na safra de 2026/2027, segundo informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Conforme o documento, nos últimos meses os estoques mundiais de milho estão sofrendo enormes e contínuas reduções, devido, especialmente, à crescente transformação de grãos em etanol e da expansão do consumo mundial do biocombustível. Dessa forma, o avanço do etanol coloca o milho brasileiro no centro da nova equação mundial de uma das maiores safras de milho já produzidas pelo Brasil e Estados Unidos, o que pode tornar a colheita insuficiente para devolver tranquilidade ao mercado mundial da produção e consumo do cereal, como alimento humano e animal e na oferta de etanol.
O consumo global do cereal deverá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas na temporada 2026/2027, naquela que pode ser a maior diferença negativa entre oferta e demanda em mais de três décadas, segundo dados do USDA. O cenário parece contraditório diante da grande produção americana e da expectativa de nova safra recorde no Brasil, mas a mudança está justamente no fato de não se tratar de quebra generalizada de produção, mas de demanda crescendo mais rapidamente do que a oferta do cereal, reduzindo a folga anterior dos estoques mundiais. O Brasil, vale lembrar, tornou-se uma das principais fontes de expansão da oferta mundial de milho, ao mesmo tempo em que passou a consumir volumes cada vez maiores dentro do próprio País, especialmente com o crescimento acelerado da indústria de etanol. A atualização mais recente dos estoques, do USDA, divulgada em 18 de setembro, reforçou a percepção de mercado mais apertado ou equilibrado. A projeção para a produção mundial de grãos forrageiros em 2026/2027 foi reduzida em 5,1 milhões de toneladas em relação ao levantamento anterior. Somente no milho, o corte ficou próximo de 5,4 milhões de toneladas.
Parte da revisão veio dos Estados Unidos, mas a produção de milho fora do país também sofreu redução de 2,5 milhões de toneladas. A Índia respondeu pela maior queda entre os produtores mundiais, com corte de dois milhões de toneladas. Como consequência das mudanças na oferta e na demanda, os estoques finais mundiais de grãos forrageiros também foram revisados para baixo, em 1,6 milhão de toneladas. O mundo pode consumir quase 30 milhões de toneladas de milho a mais e é na comparação direta entre produção e consumo que aparecem os dados mais relevantes do estudo. Em 2026/2027, o consumo mundial de milho deverá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas. Pela análise da série histórica, seria a maior diferença negativa em mais de 30 anos, o que não significa que faltarão fisicamente 30 milhões de toneladas de milho na atual safra. A diferença será atendida pelos estoques acumulados anteriormente. No Oeste do Paraná, capital nacional da proteína animal, esse diferencial é bem conhecido de produtores de milho e criadores de suínos, frangos e bovinos produtores de leite, atividades na maioria dos casos concentradas numa mesma propriedade rural.
*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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