
A Câmara dos Deputados deve avançar nas discussões para mudar o sistema eleitoral brasileiro. Partidos de centro e do Centrão articulam a construção de um texto para ser votado ainda em novembro, antes da posse dos novos deputados, em fevereiro de 2027.
A principal preocupação dessa ala é o desempenho de candidatos como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanatto (PL-SP), que concentraram milhões de votos e ajudaram a eleger dezenas de candidatos do mesmo partido.
Uma das alternativas em discussão é o voto distrital misto, modelo que combina a eleição de deputados por regiões com a distribuição de cadeiras por meio dos votos recebidos pelos partidos. A proposta busca aproximar os parlamentares dos eleitores e alterar a dinâmica de distribuição das vagas na Câmara.
O grupo reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos, além da representação da federação Solidariedade-PRD. O acordo fortalece Motta, mas ainda será necessário transformar o compromisso das lideranças em votos dos deputados.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, os presidentes do PSDB, Aécio Neves, e do PSD, Gilberto Kassab, foram os que fizeram a defesa mais enfática da mudança do sistema eleitoral.
Como funciona o voto distrital misto?
O modelo combina dois formatos: parte dos deputados é eleita por distritos eleitorais, áreas geográficas que escolhem seus próprios representantes, e outra parte é definida proporcionalmente aos votos recebidos pelos partidos.
A proposta pode aproximar deputados de suas regiões, mas também favorecer candidatos com bases eleitorais concentradas. O efeito sobre os puxadores de votos dependerá das regras e da proporção de cadeiras destinadas a cada modalidade.
Por que mudar o sistema?
A discussão ganhou força após o avanço do PL nas eleições de 2026. Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato (PL-SP) receberam mais de 3 milhões de votos cada um, contribuindo para ampliar a representação da legenda na Câmara.
O PL chegará à próxima legislatura com 121 deputados federais, sua maior bancada desde 1990. Já a federação União Brasil-PP cairá de 97 para 87 parlamentares.
Para partidos do Centrão, o atual sistema permite que candidatos muito populares ampliem a bancada de suas legendas. A mudança, portanto, também tem impacto direto na disputa por espaço e poder dentro da Câmara.
Lista aberta ou fechada?
No Brasil, o sistema atual é de lista aberta: o eleitor escolhe diretamente um candidato, e as vagas conquistadas pelo partido ficam com os mais votados, conforme as regras eleitorais.
Na lista fechada, o eleitor vota no partido, que define previamente a ordem dos candidatos. O modelo fortalece as legendas, mas amplia o poder das direções partidárias na escolha dos eleitos.
E o distritão?
Outra alternativa é o distritão, em que os candidatos mais votados individualmente conquistam as vagas, sem ajudar a eleger colegas de partido. O formato pode beneficiar políticos populares, mas dificultar a representação de partidos menores.
A ideia exige uma proposta de emenda à Constituição (PEC) aprovada por pelo menos 308 deputados em dois turnos. Já o voto distrital misto é tratado por parte dos articuladores como uma alternativa possível por meio de projeto de lei (PL).
Atualmente, já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara um projeto que implanta o voto distrital misto. A proposta é relatada pelo deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), que participou do almoço com Motta e dirigentes partidários.