O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta terça-feira (27) que o partido fechou questão por apoio a uma proposta que estabelece o voto distrital misto nas eleições brasileiras.
Em declaração no evento Brasil Quadriênio 2027–2030, com o tema "O que esperar dos eleitos?", o ex-prefeito de São Paulo também disse que quem não for favorável "será convidado a se retirar" da legenda.
"Não tem como você construir a melhoria do sistema político brasileiro com uma melhor representação, mais legitimidade, dando à sociedade mais capacidade de fiscalização do que o voto distrital mesmo. Porque o voto distrital, ele permite ao eleitor conhecer melhor em quem ele tá votando", falou.
Nesse modelo, parte das vagas parlamentares é preenchida por eleitos em distritos eleitorais e a outra é distribuída por voto no partido, com listas de candidatos definida por cada legenda.
O território é dividido em regiões e vence quem tiver mais votos em determinado distrito. Outras figuras do mundo político e jurídico já demonstraram recentemente apoio à adoção desse sistema, como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Após o primeiro turno das eleições de 2026, em que a direita, sobretudo PL e Novo, aumentaram a quantidade de cadeiras na Câmara e no Senado, o centrão passou a articular uma mudança no modelo eleitoral brasileiro.
Segundo apuração do colunista Ranier Bragon, do SBT News, a ideia de centristas é votar já em novembro um projeto para substituir o modelo proporcional vigente pelo distrital misto ou por uma das variações em debate, como distritão ou distritão misto.
O objetivo seria aprovar a mudança antes da posse do novo Congresso, em fevereiro de 2027. O relator da proposta será o deputado Domingos Neto (PSD-CE).
Sistemas majoritário e proporcional
Atualmente, o Brasil adota dois sistemas, o majoritário e o proporcional.
No majoritário, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vence o candidato que for mais votado para cargos do poder Executivo (presidente da República, governador e prefeito) e de senador. Ganha quem tem maioria absoluta ou simples dos votos.
A absoluta é atingida por quem obtém 50% mais um dos votos válidos, sem considerar brancos e nulos. Na simples, é eleito quem recebe mais votos.
Nas disputas para presidente, governos estaduais e do Distrito Federal e prefeituras de cidades com mais de 200 mil eleitores e eleitoras, é preciso conseguir a maioria absoluta para vencer. Quando isso não ocorre, é realizado um segundo turno.
O sistema proporcional elege deputados federais, estaduais e distritais (no caso do DF) e vereadores. Os eleitores são distribuídos por colégios eleitorais, que correspondem ao número total de pessoas aptas a votar em cada estado.
O colégio eleitoral do estado de São Paulo, por exemplo, tem mais de 34 milhões de pessoas aptas a votar. Pelo modelo proporcional, os candidatos a cargos de deputados disputam os votos do conjunto de eleitores.