
Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmam que o senador foi para os Estados Unidos em busca de “exílio” para evitar que o Senado fosse pressionado e usado como moeda de troca.
Segundo o deputado Mauricio Marcon (PL-RS), vice-líder da oposição na Câmara, o candidato à Presidência da República derrotado está indo “se exilar” nos Estados Unidos para “estragar” o plano de evitar o impeachment do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
“Com essa decisão, ele [Moraes] colocaria Flávio no bolso e o usaria para pressionar os senadores para votar em Davi Alcolumbre, que tem o compromisso de não abrir procedimentos de impedimento”, afirmou.
O deputado também comparou Flávio à líder da oposição venezuelana María Corina Machado, que voltou à Venezuela nesta semana depois de passar quase um ano fora do país.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) disse que não teve nenhuma confirmação da saída de Flávio do país, mas que diante do resultado da eleição e da ordem de entregar o passaporte, o senador tomou a decisão correta.
“Flávio Bolsonaro foi para os EUA para não ser usado como moeda de troca contra o impeachment de Moraes”, escreveu o político.
Jordy chamou a investigação sobre o senador de perseguição política. “Sabiam que a eleição de Flávio Bolsonaro custaria muito caro para esses ministros que cometem abuso. Eles sabem que, agora, com maioria no Senado, um impeachment de ministro do Supremo seria inevitável”, afirmou.
Na avaliação do deputado Gustavo Gayer (PL-GO), Flávio “fez o que deveria fazer”, já que, segundo ele, o senador seria preso e usado como peça de barganha no Senado, para impedir que um presidente da direita fosse eleito ou o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes fosse concretizado.
Gayer ainda chamou o Brasil de “ditadura” e disse que, nos EUA, o senador poderá “denunciar tudo”.
Saída do país
Flávio estava proibido de deixar o país, segundo ordem do ministro Alexandre de Moraes de segunda-feira (26).
Flávio teve seus passaportes pessoal e diplomático brasileiros cancelados pela Polícia Federal no final da manhã desta terça-feira (27). Ele deveria ter entregue os documentos à corporação até o fim da manhã, como determinou Moraes, mas não o fez.
Em um vídeo publicado nas redes sociais na segunda, Flávio afirmou que, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi notificado pela PF para entregar seus passaportes pessoal e diplomático.
A ordem judicial faz parte do processo em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados no STF.
Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro relacionado a negócios envolvendo bets.
Conforme a apuração preliminar da Polícia Federal, Flávio seria beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, uma empresa sediada em Portugal, que também é investigada pela PF.