
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou um homem e seus três filhos pelo assassinato de quatro pessoas em Icaraíma, no Noroeste do Paraná. Os crimes aconteceram em 5 de agosto de 2025 e, segundo as investigações, foram motivados por uma cobrança de dívida de R$ 255 mil relacionada à compra de um terreno.
Os quatro denunciados estão presos preventivamente e vão responder por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e associação criminosa armada.
De acordo com o Ministério Público, as vítimas eram naturais de São Paulo e viajaram até Icaraíma para cobrar o pagamento de uma negociação imobiliária feita com um dos suspeitos.
Para evitar o pagamento, o pai e os três filhos teriam planejado uma emboscada na propriedade rural da família. Os quatro homens foram atraídos até o local e executados a tiros, conforme a denúncia.
Após os assassinatos, os envolvidos teriam escondido os corpos e os veículos das vítimas em sepulturas clandestinas, localizadas a aproximadamente 14 quilômetros do ponto onde ocorreram os crimes.
Investigação encontrou bunkers e veículos adulterados
As investigações também revelaram indícios de que os denunciados integravam uma associação criminosa armada desde, pelo menos, dezembro de 2023.
Segundo o MPPR, o grupo estaria envolvido em fraudes imobiliárias, homicídios, adulteração de sinais identificadores de veículos, ocultação de cadáveres e fraudes processuais.
Durante as apurações, foram identificados veículos com placas adulteradas, movimentações financeiras clandestinas e estruturas subterrâneas de alvenaria, conhecidas como bunkers, construídas em propriedades rurais.
Os esconderijos seriam utilizados nas atividades criminosas atribuídas à família.
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é a suspeita de que os denunciados tenham atuado de maneira coordenada para apagar informações e modificar sistemas de celulares apreendidos pela polícia, com o objetivo de dificultar as investigações.
MP pede indenização de R$ 500 mil para familiares de cada vítima
A denúncia foi apresentada pela Promotoria de Justiça de Icaraíma na segunda-feira (2).
O Ministério Público apontou quatro qualificadoras para os homicídios: motivo torpe, meio cruel, emboscada e emprego de armas de uso restrito.
Além das penas previstas para os crimes, o MPPR solicitou à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 500 mil para os familiares de cada uma das quatro vítimas.
Caso o pedido seja aceito integralmente, o valor total da reparação poderá chegar a R$ 2 milhões.
Os quatro homens permanecem presos preventivamente. A denúncia representa a acusação formal do Ministério Público, e a responsabilidade criminal dos envolvidos ainda será analisada pela Justiça.