
O Partido da Causa Operária (PCO) aprovou a orientação aos seus filiados de voto nulo no segundo turno das eleições presidenciais e estaduais. A decisão foi tomada durante a 39ª Conferência Nacional da sigla, em São Paulo, com base em críticas ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e à aliança do PT com setores da direita tradicional.
Em nota publicada nessa segunda-feira (12), o partido afirmou que não apoiará nenhum dos dois candidatos à Presidência, Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a direção, a orientação também vale para as disputas estaduais que terão segundo turno.
Nas eleições de 2018 e 2022, a legenda apoiou Lula já no primeiro turno. "A diferença estava no caráter social e na situação concreta de cada candidatura, particularmente na relação de Lula com os trabalhadores mobilizados contra a perseguição política e o golpe. Na avaliação aprovada, essa condição não se mantém em 2026", disse o partido em nota.
O presidente nacional do PCO, Rui Costa Pimenta, que disputou a Presidência pela legenda, defendeu a decisão e criticou a política econômica do governo, a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o que considera um afastamento do PT em relação aos trabalhadores.
O partido afirmou que, embora uma eventual vitória da direita possa intensificar os ataques aos trabalhadores, esse risco não deve justificar o apoio permanente a candidatos que, segundo a legenda, estão “comprometidos com os capitalistas”.
O PCO lançou Rui Costa Pimenta como candidato à Presidência, com Antônio Carlos Silva como vice. Pimenta recebeu 15.024 votos no primeiro turno, o equivalente a 0,01% dos votos válidos, e terminou como o candidato menos votado na disputa presidencial.
No balanço apresentado, a direção do partido afirmou que a campanha ampliou a divulgação do programa e fortaleceu a organização da sigla. Rui Costa Pimenta mencionou cerca de 80 mil votos obtidos pelo partido nas eleições.
A legenda defende a organização independente dos trabalhadores e rejeita o apoio a candidaturas que considera vinculadas aos interesses do capital.
A decisão de voto nulo marca a posição do partido para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.